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“Dona de Mim” o brilho absoluto de Iza em seu primeiro álbum

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Dona-de-mim-izaPreciso mesmo introduzir esse texto com as expectativas que circulavam aqui na minha cabeça para o lançamento de “Dona de Mim”. Na verdade elas não eram exatamente boas ou ruins, porém, acompanhando os caminhos que a arte de artistas com rápida ascensão no Brasil percorrem, a expectativa era mais do mesmo.

A primeira vez que eu vi e ouvi Iza foi no vídeo de “Pesadão“, confesso que amei. Vê-la abrindo a porta do galpão e caminhando ao encontro de Marcelo Falcão já tinha ganhado a minha atenção em 100%, falo isso porque as vezes menos é mais, na verdade, a química do dueto é tão perceptiva que se eles tivessem passado os pouco mais de 3 minutos  em cena apenas interagindo entre si, não tiraria o brilho do encontro. Dias depois a música já tinha uma das maiores performances de rádio e internet do ano, e isso era início de outubro. Alguns dias depois, no Prêmio Multishow, Iza entra em cena para um dueto com Projota cantando “Rude Boy” da Rihanna, e, em um ano explosivo para Anitta e Pablo Vittar, artistas em que o canto em si não é lá um grande protagonista, a voz de Iza preencheu todo o cenário e seu “Pesadão” justificou ainda mais o seu sucesso eminente. Foi considerada apresentação mais quente da premiação.

Mídia, mídia, mais mídia e a questão “E agora?” se estabeleceu por aí. Foram 5 meses de espera para um novo lançamento e a demora, claro, entrega a preocupação de obter o mesmo êxito ou quem sabe ainda maior que o single anterior. Foi então que recebemos “Ginga“, com uma participação genérica do rapper Rincon Sapiência, que pouco agregou a faixa (e não por culpa dele), diferente da colaboração que ocorreu com Falcão. Esse momento, de busca por um novo sucesso, é que corrompe a identidade artística e foi então que “Dona de Mim” pareceu mais um álbum de gravadora que realmente de um artista. Claro que todos entendem que, diferente do cenário independente, estabelece-se um contrato que compromete a liberdade criativa e deve cumprir com as expectativas de mercado. A maior prova dessa reflexão pode ser retirada de uma entrevista que a própria Iza concedeu ao portal POPline, quando revelou que a faixa do álbum que mais deu trabalho foi “Ginga”. Logo veio a confirmação da participação de Ivete Sangalo, que levantou mais ainda a dúvida sobre a identidade do trabalho de Iza e sua capacidade de carregar um álbum sozinha (sobre a perspectiva da indústria). Parcerias aproximam os artistas de novos públicos e, consequentemente, aumentam o seu consumo.

De “Ginga” para o lançamento do álbum foi um pulo. E quando ouvi “Dona de Mim” logo no início da madrugada, minhas inexpressivas expectativas foram de encontro a um tweet que dizia “Quem não era fã da Iza, virou agora”, e nisso eu concordo completamente.

Iza entregou um álbum forte, com uma estética sonora admirável e, mesmo com o alcance mundial das plataformas digitais, genuinamente brasileiro. Claro que as influências são muitas, R&B, Trap, Reggae, Reggaeton, porém todas muito bem nacionalizadas. “Ginga” com Sapiência (a parceria menos expressiva) abre o trabalho e até a quinta faixa a força é descomunal, passamos por: “Bateu” com Ruxell, “Pesadão” com Marcelo Falcão, “Corda Bamba” com Ivete Sangalo e “Rebola” com Glória Groove e Carlinhos Brown. Todas colaborações muito bem realizadas, nada parece forçado ou fora do lugar, é o suficiente para se entregar facilmente as outras oito faixas: “Saudade Daquilo”, “Engano Seu”, “É noix” com Thiaguinho, “Toda Sua”, “Você não vive sem”, “Dona de Mim”, “Lado B”, “No Ponto” e “Linha de Frente”.

Embora a força do álbum esteja em sua grande maioria nas músicas com participações, posso assegurar que elas funcionariam muito bem sem elas. É Iza quem brilha absoluta. Imagem e voz estão em perfeita sintonia. Temos uma artista consistente e com identidade, o que não costuma ser fácil para um primeiro trabalho.

Gostaria de encerrar essa crítica com dois pontos que pessoalmente me chamaram muita atenção. O primeiro é a parceria com Ivete que é memorável, uma das melhores que já ouvi fora do axé. O segundo é “Rebola” com a super percussão de Carlinhos Brown e a participação explosiva de Glória Groove, merece um vídeo.

Ouça o álbum completo:

P.s.: Não atribuo notas medievais nas minhas críticas, os argumentos estão entregues para reflexão.

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